Linux no Desktop - por outro prisma

November 9th, 2007

Tenho visto alguns posts por aí tratando deste assunto, sempre voltado ao Desktop do usuário final, aquele que tem a intenção de instalar o Linux, seja lá qual for a distribuição escolhida, em seu computador de uso pessoal.

Primeiro, eu li um que mostrava que dificilmente o Linux conseguiria se consolidar expressivamente entre os desktops, por uma série de motivos, como a excessiva quantidade de distribuições, a necessidade de um conhecimento técnico maior do que apenas o arrastar do mouse, entre outros tantos válidos e merecedores de atenção.

Porém, de uns tempos pra cá, venho notando um movimento diferente em relação à essa questão, grandes empresas investindo, grandes ícones comentando sobre o assunto, um post de Nicholas Petreley de 05/11/07, mostra de forma clara alguns motivos pelos quais hoje é possível sim que o Linux abocanhe de forma expressiva o mercado de Desktops.

Mas o intuito principal deste post é abrir um novo prisma para essa mesma discussão, baseado na experiências com algumas implementações corporativas de Linux no Desktop, inclusive gerando e fomentando novos olhares.

Obtivemos muito sucesso implementando Desktops Linux, quando a diretriz do departamento de TI exige um ambiente controlado de softwares, tendo um padrão de ferramentas disponíveis aos usuários, e oferecendo treinamento para a adaptação dos usuários às ferramentas Linux. Justamente a necessidade de conhecimento técnico mais avançado, diminui a ocorrência de incidentes onde o usuário instala programas inadvertidamente que acabam influenciando na estabilidade do sistema. Existe também a necessidade de a aplicação corporativa principal trabalhar em base Linux, quer seja nativamente, quer seja através do Wine ou de protocolos em modo texto.

Já em casos onde existe a necessidade e a permissão da empresa para a utilização de aplicações específicas ou que não tenham concorrentes livres, aí sim mantêm-se a utilização de estação com outro sistema operacional.

Como um dos grandes objetivos das empresas que optam por este tipo de solução é a redução dos custos de licenciamento de softwares, mesmo implementando a solução híbrida de sistemas operacionais, o objetivo é plenamente alcançado.

Concluindo, o nível de sucesso deste tipo de implementação está diretamente ligado à diretriz do projeto, ao pleno atendimento das necessidades dos usuários com soluções livres e ao quão permissiva é a empresa às exigências dos usuários finais.

Lembrando, isto é uma visão particular do assunto, baseado em casos onde nos deparamos com a aplicação de Linux nas estações de trabalho.

Certificações Linux : selo de qualidade

November 7th, 2007

Não é de hoje que o mercado de TI vem cobrando as famosas certificações. Mas será que isso também vale para o mercado de TI consumidor de software livre/código aberto ? Claro que sim !
As empresas estão buscando cada vez mais profissionais que se destacam no mercado de trabalho e existem, em minha opinião, duas maneiras de se comprovar o conhecimento de um profissional : através de um processo seletivo envolvendo a avaliação dos conhecimentos do candidata na prática, algo que pode ser bastante oneroso para as empresas que buscam por profissionais, ou através da apresentação, por parte dos candidatos, de certificados que comprovem sua experiência, o que, em algumas situações já pode demonstrar o nível do profissional.

É sabido que existem atualmente certificações para todos as subáreas de TI mas o que poucas pessoas  sabem é que existem certificações específicas para o pinguim. E essas certificações vêm ganhando mercado de forma assustadora, uma vez que as empresas consumidoras de TI já utilizam software livre/código aberto em diversos níveis e precisam de profissionais com experiência comprovada para auxiliá-los a entender e tirar proveito dessa nova realidade.
Outro dia mesmo me deparei com uma empresa realizando certificações voltadas a GNU/Linux em um evento de TI genérico, o que comprova que isso não é mais algo pouco difundido. Mas como saber quais são as certificações  relacionados a software livre/código aberto e, mais especificamente, a GNU/Linux, mais importantes e reconhecidas no mercado atualmente ?

Empresas como a Conectiva (atualmente Mandriva) tinham sua prórpria certificação. Por volta de 1998, essa certificação foi muito procurada por profissionais brasileiros, dada a grande popularidade da distribuição de mesmo nome comercializada pela Conectiva na época. No site da Conectiva era possível inclusive consultar os profissionais certificados em cada estado brasileiro e eu achava isso muito interessante na época.

Me recordo como se fosse hoje que, por uma quantia que hoje seria equivalente a em torno de R$ 90,00 era possível, através de um centro de aplicação de testes autorizado pela Conectiva, realizar a prova de ceritifcação, a qual continha algo entre 60 e 80 questões.

Porém, hoje em dia, as coisas são bem diferentes. Existem basicamente duas certificações que se destacam no mundo do pinguim : uma mais genérica e bastante divulgada, a certificação LPI, e outra criada e voltada especificamente para uma única distribuição, a certificação da empresa americana RedHat, que produz a distribuição GNU/Linux de mesmo nome, uma das distribuições mais usadas e respeitadas no ambiente corporativo.
A certificação LPI é uma certificação almejada pelos profissionais GNU/Linux por se tratar de uma certificação que avalia o conhecimento relacionado a GNU/Linux de uma forma genérica, sem focar em nenhuma distribuição específica. A LPI é dividida basicamente em 3 etapas :

  • Certificação LPIC - 1 (Nível 1) - Administrador Linux nível júnior
  • Certificação LPIC - 2 (Nível II) - Administrador Linux nível pleno
  • Certificação LPIC - 3 (Nível III) - Administrador Linux nível sênior.

A validade da certificação LPI é de 5 (cinco) anos. O profissional deve obrigatoriamente renovar sua certificação ao término dos 5 anos ou, opcionalmente, conseguir uma certificação de nível superior caso queira manter o status de profissional certificado.A certificação RedHat é uma das mais importantes do mundo GNU/Linux e uma das que exigem o maior investimento por parte do profissional que a almeja. Atualmente já é possível obtê-la aqui no Brasil mas até há algum tempo atrás só era possível conseguí-la indo até os EUA para realizar as provas, o que acaba excluíndo muitos possíveis candidatos.

Na verdade, existem duas certificações oferecidas pela Red Hat : a RHCT (Red Hat Certified Technician) e a RHCE (Red Hat Certified Enginiering). O exame para a certificação RHCE é composta por três etapas : uma etapa de troubleshooting/resolução de problemas, na qual uma máquina é iniciada com diversos problemas e o candidato  deve corrigí-los sem ter a possibilidade de reinstalar o sistema operacional, uma etapa com diversas questões em formato de teste e a outra etapa que consiste na configuração de servidores reais simulando necessidades reais do dia-a-dia de uma empresa usuária de GNU/Linux.

O mais interessante em minha opinião é a forma de avaliação de cada uma das etapas. A RedHat possui um sistema, geralmente sendo executado no servidor do instrutor/examinador, que avalia todas as respostas as questões e também consegue verificar a segunda e terceira etapas apenas com um click de mouse, informando ao final qual foi a nota obtida pelo candidato.

É hora de começar a pensar sobre certificação e decidir qual lhe agrada mais (LPI ou Red Hat), pois as empresas estão buscando um “selo de qualidade” e, como o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e competitivo, com certeza, ter uma certificação, ou até mesmo mais de uma delas, é um diferencial importante em  processo seletivo para ingresso no nesse mercado ou mesmo para obtenção de uma melhor posição profissional.

Bico do Pinguim

October 31st, 2007

Olá a todos…

Recentemente li uma matéria muito interessante, cujo foco eram as empresas que apostaram no Sistema Operacional GNU/Linux para atender as necessidades de alguns serviços (servidores), mas que após alguns meses voltaram para ambiente proprietário.

Nas reuniões em que eu participo (geralmente corporativas), costumo utilizar o ditado “Não estamos aqui para quebrar o bico do Pinguim”. Mas o que eu quero dizer com isso ?

Não quebrar o bico do pinguim consiste em não somente fazer uma proposta comercial e mandá-la via email, sem ao menos conhecer o ambiente de rede do cliente. Na maioria das vezes, esse tipo de procedimento ocasiona a quebra do bico do pinguim, ou seja, acaba resultando em implantações mal sucedidas, fazendo com que o cliente opte por retornar à solução Windows.

Entender o ambiente corporativo onde serão empregadas as soluções com Software Livre é primordial para uma boa implementação. Por exemplo:

Uma implementação de servidor para estações “burras”, ou seja, estações simples (de baixa capacidade) trabalhando diretamente no servidor (memória, processamento e disco) exige com certeza uma consultoria inicial antes de se colocar a mão na massa, exatamente para que não quebremos o bico do pinguim.

Essa consultoria resume-se em conhecer o parque das estações, os aplicativos que serão utilizados pelos usuários, quais são os softwares proprietários e que precisariam funcionar em ambiente Linux (pois, em alguns casos, é possível fazê-los funcionar com emuladores) e, por fim, fazer uma homologação para saber se as estações baseadas em Software Livre atendem as reais necessidades do ambiente.

Um outro fator importante para um projeto como esse é saber definir de forma correta e com propriedade qual seria o servidor ideal : memória, processador, disco e etc, ou seja, dimensionar de forma correta o hardware necessário para o projeto.

Então pessoal, lembrem-se : para não sair quebrando o bico do pinguim e de certa forma acabando (para algumas empresas) com a confiança que o Sistema Operacional GNU/Linux ganhou nos seus primeiros 16 anos de vida, é necessário tomar muito mais cuidados do que meramente redigir uma proposta.

Um abraço,

Jardel F. da Costa